
Os antibióticos revolucionaram a medicina e salvaram milhões de vidas ao longo das últimas décadas. No entanto, estudos recentes mostram que seus efeitos não se limitam ao período do tratamento. Em muitos casos, eles podem provocar alterações na microbiota intestinal que persistem por meses ou até anos, influenciando a digestão, a imunidade e diversos processos metabólicos.
Isso significa que toda pessoa precisa tomar um probiótico após usar antibióticos? E, principalmente, qual probiótico tomar depois do antibiótico?
Neste artigo, você entenderá o que a ciência já descobriu sobre o impacto dos antibióticos no microbioma e como favorecer uma recuperação saudável da microbiota intestinal.
Aqui você irá conferir
ToggleO microbioma intestinal é formado por trilhões de microrganismos, incluindo bactérias, fungos e vírus, que vivem naturalmente no organismo.
Quando um antibiótico é utilizado para eliminar bactérias causadoras de uma infecção, ele normalmente não consegue distinguir completamente entre bactérias prejudiciais e benéficas.
Como consequência, parte da microbiota intestinal também é afetada, reduzindo sua diversidade e alterando o equilíbrio natural do intestino.
Esse desequilíbrio é conhecido como disbiose intestinal.
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Durante muito tempo acreditava-se que a microbiota voltava rapidamente ao normal após o término do antibiótico. Hoje sabemos que a realidade pode ser diferente.
Pesquisas recentes demonstram que algumas espécies bacterianas podem levar meses para se recuperar, enquanto outras podem desaparecer completamente em determinadas pessoas.
Além disso, alguns indivíduos apresentam alterações persistentes na composição do microbioma, mesmo anos após terem utilizado determinados antibióticos.
Quanto maior a frequência do uso de antibióticos, maiores tendem a ser as alterações acumuladas na microbiota intestinal.
A alteração da microbiota não significa necessariamente que uma pessoa desenvolverá doenças. Entretanto, diversos estudos relacionam a disbiose com um maior risco de:
Essa é uma das dúvidas mais frequentes. A resposta é que não existe um único probiótico ideal para todas as pessoas.
A eficácia depende da cepa utilizada, da indicação clínica e do objetivo do tratamento.
Entre as cepas mais estudadas estão:
Esses microrganismos possuem diferentes níveis de evidência científica para auxiliar principalmente na prevenção da diarreia associada ao uso de antibióticos e na recuperação do equilíbrio intestinal.
Embora os termos sejam parecidos, probióticos e prebióticos têm funções diferentes e complementares na saúde intestinal.
Os probióticos são microrganismos vivos que, quando consumidos em quantidades adequadas, podem trazer benefícios à saúde. Eles ajudam a restaurar o equilíbrio da microbiota intestinal, especialmente após situações que reduzem a diversidade de bactérias benéficas, como o uso de antibióticos.
Já os prebióticos não são bactérias. Eles consistem em fibras e outros compostos que servem de alimento para os microrganismos benéficos já presentes no intestino, estimulando seu crescimento e sua atividade.
Após um tratamento com antibióticos, porém, a microbiota pode ter perdido parte importante dessas bactérias. Nesse cenário, consumir apenas prebióticos pode não ser suficiente, pois haverá menos microrganismos para utilizarem esses nutrientes.
É por isso que, em muitos casos, profissionais de saúde recomendam o uso de probióticos específicos após o tratamento com antibióticos. Além disso, eles podem auxiliar na reintrodução de cepas benéficas e favorecer uma recuperação mais rápida do equilíbrio intestinal. Depois disso, uma alimentação rica em fibras e prebióticos ajuda a manter essas bactérias saudáveis e ativas.
Diversos profissionais recomendam iniciar o probiótico durante o tratamento, mantendo um intervalo de aproximadamente duas horas entre o antibiótico e o probiótico para reduzir a destruição das bactérias benéficas.
Após o término do antibiótico, o uso costuma continuar por algumas semanas, conforme a recomendação médica ou nutricional.
Mesmo utilizando probióticos, a alimentação continua sendo um dos fatores mais importantes para a recuperação da microbiota.
Alimentos ricos em fibras funcionam como combustível para as bactérias benéficas.
Os alimentos fermentados também podem contribuir para aumentar a diversidade microbiana.
Embora sejam alimentos interessantes, eles não substituem probióticos prescritos quando existe indicação clínica.
Na maioria das pessoas ocorre uma recuperação significativa ao longo do tempo.
Entretanto, estudos mostram que algumas bactérias podem não retornar aos níveis anteriores ao tratamento, especialmente após o uso repetido de antibióticos.
Isso reforça a importância do uso consciente desses medicamentos.
Antibióticos devem ser utilizados apenas quando realmente necessários e sempre sob orientação médica.
Evitar o uso desnecessário ajuda não apenas a combater a resistência bacteriana, mas também a preservar a saúde do microbioma intestinal.
1 Nature Medicine. Long-term effects of antibiotics on the human gut microbiome. Nature Medicine, 2026. Disponível em: https://www.nature.com/articles/s41591-026-04284-y.
2 Ramírez-Castillo, F. Y.; et al. The Gut Microbiota and Antibiotic Therapy: An Updated Review. National Center for Biotechnology Information (NCBI), 2022. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8756738/.
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