
As chamadas canetas emagrecedoras ganharam espaço no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. Medicamentos como semaglutida, liraglutida e tirzepatida podem ajudar no controle da glicemia, na redução do apetite e na perda de peso quando utilizados com acompanhamento profissional.
Ao mesmo tempo, dúvidas sobre possíveis efeitos adversos tornaram-se mais frequentes. Entre elas está a seguinte pergunta: a caneta emagrecedora pode causar pedra na vesícula?
Os estudos indicam que existe uma associação entre medicamentos que atuam sobre o receptor de GLP-1 e um aumento do risco de doenças da vesícula e das vias biliares. Entretanto, isso não significa que toda pessoa que utiliza esses medicamentos desenvolverá cálculos biliares.
O risco depende de fatores como histórico clínico, velocidade da perda de peso, dose utilizada, duração do tratamento e predisposição individual. Descubra mais a seguir.
Aqui você irá conferir
TogglePedra na vesícula é o nome popular da colelitíase, condição caracterizada pela formação de depósitos endurecidos no interior da vesícula biliar.
A vesícula é um pequeno órgão localizado abaixo do fígado. Sua função é armazenar a bile, líquido produzido pelo fígado que participa principalmente da digestão das gorduras.
Os cálculos aparecem quando algumas substâncias presentes na bile, como colesterol, bilirrubina e sais biliares, deixam de permanecer adequadamente dissolvidas e começam a formar cristais.
Esses cristais podem crescer e dar origem a pedras de diferentes tamanhos. Algumas são semelhantes a pequenos grãos, enquanto outras podem ocupar boa parte da vesícula. Muitas pessoas têm pedras na vesícula sem apresentar sintomas. O problema costuma surgir quando um cálculo se desloca e bloqueia a passagem da bile.
Não é correto afirmar que as canetas emagrecedoras necessariamente causam pedra na vesícula. O que as pesquisas demonstram é que o uso de agonistas do receptor de GLP-1 está associado a uma frequência maior de cálculos e outras doenças biliares em comparação com placebo ou outros tratamentos.
Uma revisão sistemática publicada no JAMA Internal Medicine analisou 76 estudos clínicos randomizados. Os pesquisadores encontraram aumento do risco de doenças da vesícula ou das vias biliares entre usuários de agonistas de GLP-1.
A associação foi mais evidente:
Nos estudos destinados ao emagrecimento, o risco relativo de doenças biliares foi aproximadamente 2,29 vezes maior. É importante observar, porém, que risco relativo não representa a probabilidade individual de uma pessoa desenvolver a condição. Em números absolutos, esses eventos continuam sendo pouco frequentes. As informações oficiais de medicamentos à base de semaglutida também incluem advertências sobre a ocorrência de colelitíase e colecistite durante estudos clínicos e após a comercialização.
👉 Dúvidas sobre o uso das canetinhas? Acesse nosso artigo: Tirzepatida efeitos colaterais e como prevenir
A relação pode envolver dois mecanismos principais.
A perda de peso rápida, independentemente do método utilizado, é um fator conhecido para a formação de cálculos biliares.
Isso também pode acontecer depois de dietas muito restritivas ou de uma cirurgia bariátrica.
Durante um emagrecimento acelerado, o fígado pode liberar mais colesterol na bile. Ao mesmo tempo, a vesícula pode se contrair com menor frequência. A combinação favorece a concentração da bile e a formação de cristais.
Portanto, parte do risco observado durante o tratamento pode estar relacionada ao próprio emagrecimento, e não exclusivamente ao medicamento.
Os agonistas de GLP-1 também podem interferir na motilidade da vesícula.
O GLP-1 participa de diferentes processos digestivos e pode diminuir a liberação de colecistocinina, hormônio que estimula a contração da vesícula após as refeições.
Quando a vesícula se contrai menos, a bile permanece armazenada por mais tempo. Essa estagnação pode facilitar a formação de cálculos em pessoas predispostas.
Qualquer pessoa pode desenvolver pedra na vesícula, mas alguns fatores aumentam a probabilidade:
Grande parte dos cálculos biliares não causa sintomas e pode ser descoberta por acaso durante um ultrassom realizado por outro motivo.
Quando uma pedra bloqueia temporariamente a saída da bile, pode ocorrer a chamada cólica biliar.
Os principais sintomas incluem:
A dor pode começar após uma refeição, aumentar progressivamente e durar de alguns minutos a algumas horas.
Não existe uma estratégia capaz de impedir completamente o surgimento de cálculos. Algumas medidas, entretanto, podem contribuir para um emagrecimento mais seguro.
O tratamento deve incluir avaliação dos sintomas, evolução do peso, dose utilizada e possíveis efeitos adversos.
No Brasil, medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras incluem substâncias como semaglutida, liraglutida e tirzepatida e devem ser utilizados conforme indicação e prescrição profissional.
A meta de perda de peso deve ser individualizada. Dietas extremamente restritivas somadas ao medicamento podem acelerar demais o emagrecimento e aumentar o risco de efeitos indesejados.
Não é necessário eliminar completamente todas as gorduras sem orientação. A presença de alguma gordura na refeição estimula a contração da vesícula. O importante é evitar excessos, especialmente quando alimentos muito gordurosos desencadeiam sintomas.
Jejuns prolongados ou dietas muito restritivas podem reduzir a frequência de contração da vesícula. A estratégia alimentar deve ser planejada de acordo com as necessidades de cada paciente.
A hidratação não dissolve cálculos, mas faz parte dos cuidados gerais durante o processo de emagrecimento e pode ajudar a evitar complicações relacionadas a vômitos, diarreia ou baixa ingestão de líquidos.
Existem medicamentos capazes de dissolver alguns cálculos de colesterol, mas são utilizados apenas em situações bastante específicas.
O tratamento pode levar meses ou anos, não funciona para todos os tipos de pedra e os cálculos podem reaparecer depois.
Por isso, quando existem sintomas recorrentes ou complicações, a cirurgia costuma ser a opção mais definitiva.
Pode aumentar o risco, principalmente quando há perda rápida de peso. Porém, isso não significa que todos os usuários desenvolverão cálculos.
A tirzepatida também pode estar associada a problemas na vesícula, especialmente em pessoas com histórico de cálculos ou emagrecimento acelerado.
Muitas pessoas não apresentam sintomas. A dor costuma surgir quando uma pedra bloqueia a saída da bile.
Algumas pedras pequenas podem sair da vesícula, mas também podem ficar presas nos canais biliares e causar complicações.
Em muitos casos, sim, porém, o uso deve ser avaliado por um médico, considerando o histórico clínico e digestivo.
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